Tuesday, December 13, 2005
Referendo Nacional? ah ah ah
Na mesmíssima edição do Público (23/11/05), uma pequena notícia (p.5) dava conta duma delirante exigência do Presidente da Câmara dessa terra nojenta que dá por nome lisboa.
Dizia o autarca em questão - um tal Carmona Rodrigues, ao que parece, que na volta nem sequer nasceu em lisboa, mas já se sabe que esta cidade provoca doenças mentais profundas em quem tem a infelicidade de nela viver - que pretendia «um referendo nacional» sobre a questão de se fazer ou não o Aeroporto de lisboa na Ota e a eventual extinção ou não do Aeroporto da Portela.
O caro senhor se quer fazer um referendo, que o faça na sua terra, e que deixe o resto do país em paz, porque de resto, é evidente que a sua área de competência acaba nos limites do seu município e não tem nenhum poder sobre os restantes, que, lembro ao ingénuo senhor, são mais de trezentos, apesar de ser aquele que ele governa o que consome mais recursos ao estado e ao País.
Igualmente, há que notar-se que um assunto que respeita a lisboa e aos parolos do lisboetas não tem que ser tema de referendo nem de discussão entre aqueles que vivem e convivem noutros pontos do país.
O Presidente da Câmara de lisboa, simplesmente por sê-lo, será sempre e automaticamente um inimigo do Alentejo - e isto, independentemente da sua cor ou casaca política.
O actual edil dá-nos razão: a arrogância irresponsável das suas declarações demonstram um espírito mesquinho de quem confunde o poder autárquico com o nacional, de quem não sabe distinguir entre lisboa, a cidade execrável, e o resto do país, obrigado por sobranceria e cinismo a viver na sua sombra.
O soberbo indíviduo, não satisfeito com a sua disdacália adstringente, afundou-se ainda mais, sustentando que já viu fazerem-se referendos 'por muito menos'. Esta já esgota a nossa paciência e faz do pobre sujeito um caso clínico de alto grau. Tanto quanto sabemos, referendos em Portugal fizeram-me pela Integração Europeia, pelo Aborto (de má memória, mas enfim) e... pela Regionalização.
Ora, o douto senhor Carmona deve-se estar a referir, na sua perspectiva de sincretismo infantil entre autarquia olissiponense e despotismo central, a esta última questão - a Regionalização, que pomposamente classifica de assunto de inferior importância. Para ele claro, a quem o interesse da maioria dos portugueses (70 a 90 por cento) lhe importa uma caçarola de iscas fritas. Ora, acontece que é SÓ a questão mais importante para resolver os problemas estruturais e de decisão do país!
Queima-te a ti mesmo Carmona, que o nosso fogo é demasiado purificador para um reles da tua baixa categoria! E faz referendos na casa-de-banho, que é onde podem ter verdadeiro alcance as tuas propostas escatológicas! Reiterando um dos nossos lemas: Portugal não é Lisboa, Lisboa não é Portugal.
As colinas alfacinhas voltarão a ruir e a praça do município também!